quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SOBRE Negociação

Em nossa prática, percebemos que negociações são realizadas diariamente nas famílias empresárias que acompanhamos (e nas não empresárias também). Por trás das argumentações numa negociação, está sempre a busca da pessoa em satisfazer um dos cinco interesses básicos do ser humano: segurança, reconhecimento, um sentido de pertença, bem-estar econômico e controle sobre a própria vida.
São comuns discussões quanto à distribuição de lucros, salários, horário de chegada e saída da empresa, sucessão, uso dos bens e serviços da empresa, enfim diferentes temas. Logo, existe maior probabilidade de se chegar a um acordo quando conseguimos identificar qual daqueles interesses básicos está por trás de cada argumentação.
A família empresária tem “muito” em jogo: afeto, união familiar, posição nos negócios, poder, dinheiro. Situações familiares “invadem” o ambiente empresarial e societário, e vice-versa também. Portanto, quando trabalhamos com as famílias empresárias na organização das regras de convivência dos membros familiares em relação ao negócio (Protocolo ou Acordo Familiar), são inevitáveis negociações nos três círculos: Empresa, Família e Sociedade.
Numa negociação, é natural que ocorra, muitas vezes, mais do que uma negociação, mas uma disputa de egos, enquanto que para se chegar a um acordo, é preciso que ambos os lados saiam ganhando. A resposta emocional diante desta possibilidade, abre caminho para o sucesso na negociação.
Além desses aspectos da negociação, é fundamental também escutar e  compreender como o outro lado vê a situação em questão.  Esta é uma das mais importantes habilidades que um negociador pode possuir, por mais difícil que seja. As pessoas escutam melhor quando sentem que são compreendidas. Vale lembrar que compreender não é a mesma coisa que concordar, mas se a pessoa quer que o outro reconheça seus interesses, deve começar demonstrando que reconhece os dele.


Elaine Martin
Coach para Herdeiros
Tondo Desenvolvimento de Famílias Empresárias







   

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

SOBRE Famílias Empresárias e a capacidade de diálogo

Enquanto muitas vezes a geração dos fundadores tende a ser econômica, discreta e se entende rapidamente através do olhar, os familiares de uma segunda ou terceira geração possuem outra dinâmica e necessitam várias conversas para nivelar o que entendem como as dificuldades, prós e contras em, por exemplo, manter uma postura low profile...

Buscar constantemente construir soluções por consenso, muita conversa para clarear assuntos difíceis e nebulosos, esta é a única receita que tenho encontrado para solidificar relações entre parentes que também são sócios e/ou executivos em negócios familiares.

Infelizmente, já trabalhei com algumas famílias empresárias que nos procuraram somente depois que já haviam entrado em situações muito difíceis por buscarem soluções rápidas através de votações. Votações e instrumentos “empacotados” que prometem ser a solução para todos os males familiares – e que servem para toda e qualquer família - fazem parte do arsenal de ilusões em que uma família empresária pode cair.

As melhores soluções e os melhores instrumentos elaborados por famílias que possuem negócios passam por muita conversa sobre temas bastante difíceis. No processo de elaboração destas soluções e destes instrumentos, algumas reuniões são pesadas, mas nelas os familiares estão “limpando feridas” para conseguir cicatrizar os ferimentos e seguir em frente.



Aos poucos, a paciência necessária para a construção do consenso entre os familiares passa a ser um diálogo produtivo, no qual constantemente aparecem relações de confiança mútua. Confiança e capacidade de dialogar – e até de brigar, mantendo o respeito – tem sido as bases que encontro nas famílias empresárias que conseguem perpetuar seus negócios e continuarem unidas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

SOBRE Sucessão na Cosan

É até comum quando existem empreendedores muito fortes e que estes se sintam praticamente imortais, considerando a ideia de sua falta, algo improvável.
Contudo, há também lideranças de empresas pequenas, médias e grandes que organizam e sustentam processos de sucessão planejados.
No link abaixo, segue um case que está buscando organizar uma nova estrutura.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

SOBRE Max Mara e sua história costurada em detalhes

Achille Maramotti formou-se em Direito, e em 1947 iniciou-se no ramo da moda, desenhando e comercializando roupas de alta costura, paixão que foi adquirida de sua bisavó Marina Rinaldi, que administrava uma casa de luxo de moda em Reddio Emilia, no final do século XIX.

Naquela época, a moda era uma atividade artesanal, e o desejo de Marina Rinaldi era de produzir roupas de alta qualidade especificamente para mulheres.

Em 1951 em Reggio Emilia, Maramotti criou a Casa de Max Mara. Ele foi um visionário da produção em massa e de alta qualidade e criações individuais, dando ênfase na marca Max Mara.


E foi com cortes precisos, designer limpo e linhas decisivas que Max Mara gerou 35 rótulos e garantiu sucesso imediato.
Achille Maramotti faleceu em janeiro de 2015 e hoje sua empresa permanece no comando da família.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SOBRE O que é Família

Definir o que é família hoje é algo complexo.
Em nosso trabalho com famílias empresárias, cada família define o que é família para aquele grupo e posso dizer que as definições são diversas.
Outra conceituação sobre o tema família que considero interessante neste momento é sobre as fronteiras de entrada e de saída da família, as quais criam vínculos especiais e diferentes de outros grupos com os quais nos relacionamos. Na família, a entrada se dá somente através de nascimentos e casamentos (ou variáveis destes processos, tais como adoção, uniões estáveis...). Da família, só se sai com a morte (e isso quando mesmo depois da morte, o nome do(a) falecido(a) continua intensamente “presente” nas reuniões na empresa ou encontros familiares). Neste contexto, na família se criam alguns laços eternos: não existe a posição/função de ex-pai, ex-mãe, ex-filho(a), ex-avô – juridicamente -, não existe nem a posição de ex-sogra. Ainda hoje, na família se estabelecem vínculos de longo prazo, eternos, e, se são eternos, devemos cuidar bem deles. Portanto, quando se fala em família, o melhor é buscar construir sentimentos positivos de pertencimento, uma boa convivência, união e harmonia.

Desenvolvendo a empresa familiar e a família empresária/ org. por Cláudia Tondo. – Porto Alegre: Sulina, 2ª ed., 2014.